sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um papel em branco, uma tela vazia...

Todos somos feitos de inúmeros momentos diferentes.
Momentos explícitos, momentos implícitos.
Mas, o tempo, senhor absoluto, nunca pára,
sempre a espreita com seus longos braços a abraçar a todos impiedosamente.
Um papel em branco, uma tela vazia parecem querer congelar o momento, como se ali, por um pequeno instante, nada houvesse, apenas silêncio e inércia.
Uma espécie de buraco negro. Sim, o buraco negro de nossas vidas, onde tudo colocamos.
Ah! Um papel em branco, uma tela vazia, majestosos em sua natureza, também vêm nos provar a sua magnificiência, a sua ira do não dizer, que quer tudo dizer, do não fazer, que quer tudo fazer.
E, assim, caminham lado a lado e dançam o silêncio de nossas existências.
Logoportanto, reservemos momentos únicos e vazios em nosso tempo, pra assim, de algum forma, tentar escrever linhas em nossas vidas e pintar quadros genuínamente autênticos.

Acima:
Bem, para começar, não saberia explicar o escrito acima, pode ser um artigo, frases desconexas, um devaneio, ou nada. O importante é que é, existe, tenta, escreve. Senti essa necessidade de mostrar o vazio, mas o vazio se mostra? Não sei. O silêncio se ouve? Acredito que sim. E o amor, o amor existe? Parece depender de cada um.
Mais uma vez, esse confidente tão explícito e implícito, que é um Blog, cumpriu seu papel: desafogar palavras.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ar de vida! Ar de Federico...

AR DE NOTURNO

Tenho muito medo
das folhas mortas,
medo dos prados
cheios de orvalho.
eu vou dormir;
se não me despertas,
deixarei a teu lado
meu coração
frio.

O que é isso que soa
bem longe?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu!


Pus em ti colares
com gemas de aurora.
Por que me abandonas
neste caminho?
Se vais muito longe,
meu pássaro chora
e a verde vinha
não dará seu vinho.

O que é isso que soa
bem longe?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu!

Nunca saberás,
esfinge de neve,
o muito que eu
haveria de te querer
essas madrugadas
quando chove
e no ramo seco
se desfaz o ninho.

O que é isso que soa
bem longe?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !

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Acima: Poema imortal de Federico, o qual muito me identifico em sua maneira de ver o amor, o frio, o caminho...

Abaixo: Pequena Bibliografia do autor, só para nos situarmos no tempo e no espaço, se é que isso é possível!!! (risos). O texto é da Wikipédia, o que eu acredito ser um dos mais confiáveis.

Obs: Sim, hoje, nossa matéria foi feita de colagens (Poema e a Bibliografia). Mas, é que as vezes é necessário. Por quê? Porque colando pedancinho em pedacinho, vamos nos descobrindo, nos construindo; ou não, vamos nos enlouquecendo, nos desconstruindo cada vez mais.
Deixe o Ar de Noturno responder...
Abçs.

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Federico Garcia Lorca, nasceu em Fuentevaqueros (Granada) em 5 de junho de 1898 e morreu assassinado em Viznar (Granada), uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola, em 19 de agosto de 1936. Foi dotado de uma personalidade extraordinariamente voltada para a arte. Garcia Lorca iniciou os seus estudos de direito, filosofia e letras, em 1914, na Universidade de Granada, transferindo-se em 1919 para Madrid, onde conheceu pessoas como o cineasta Luis Buñuel. Em Madrid nascem suas primeiras obras literárias, o "Libro de Poemas" e sua primeira obra teatral "Mariana Pineda". É também nesse período que se aproxima do grande mestre do surrealismo, Salvador Dali.
Em 1928 Garcia Lorca publica o "Romancero Gitano", composto por dezoito poemas no qual se encontram os motivos andaluzes da sua origem.
Depois dos seus estudos na Espanha, vai para os Estados Unidos, como estudante da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, onde também profere conferências. A seguir vai até Cuba. É dessa época as suas obras, reunidas no livro "Poeta en Nueva Iork", no qual se percebem técnicas surrealistas, provenientes de imagens alucinantes que expressavam o desdém de Lorca com o tipo de civilização moderna dos Estados Unidos daquela época, desumanizadora e promotora de injustiças sociais.
Ao voltar à Espanha, Lorca cria o teatro universitário ambulante "La Barraca", com o qual faz montagens de peças de autores espanhóis consagrados, como Lope de Veja e Cervantes. A seguir, viaja pela América do Sul, particularmente pela Argentina e Uruguai e faz um grande sucesso em Buenos Aires, em 1933.
A situação vigente na Europa, já nessa época, iria, contudo, fazer de Garcia Lorca uma espécie de símbolo das vítimas dos regimes autoritários de direita e da tirania fascista. Após a eclosão da Guerra Civil Espanhola, Lorca saiu de Madrid para Granada, onde, supostamente, estaria mais protegido. É que Lorca (como sempre são os intelectuais de vanguarda), era um inimigo natural de um regime autoritário. Além disso, numa Espanha católica, as possíveis tendências homossexuais de Lorca também não eram bem vistas. Por essas razões, vítima de uma denúncia anônima, Lorca é preso e assassinado, tendo o seu corpo sido jogado num canto da Sierra Nevada.
O fato de Garcia Lorca ter sido assassinado pelo regime de Franco, fez com que, durante longo tempo, seu trabalho fosse pouco divulgado e até mesmo censurado na Espanha. Por outro lado, tornou-se uma figura simbólica da opressão, o que fez com que vários poetas e escritores viessem a se ocupar de sua figura. No Brasil escreveram sobre Lorca, entre outros, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Murilo Mendes. É interessante observar, contudo, conforme ressalta um artigo de
Gilberto teles, que tais manifestações só vieram ocorrer em 1947, após a queda do Estado Novo, de Getúlio Vargas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Atitude vence bundalização!


A Fazenda, Reality Show exibido diariamente pela Rede Record, chega ao fim neste próximo domingo, dia 23 de agosto, com dois participantes correndo atrás de 1 milhão de reais. Até aqui nenhuma novidade para este mundo feito de realitys shows. Uma vez que, o mundo transformou-se em um grande olho que espia e vê tudo, Big Brother mesmo!! Algo onipresente, algo George Orwell em seu livro 1984, que já falava de um mundo onde nada poderia ser escondido, pois tudo era visto por inúmeras câmeras que tomavam conta da vida dos cidadãos, suas vidas agora manipuladas e vividas pelo Estado, tornaram-se vazias e inócuas. Nada muito diferente do que vem ocorrendo?! Ou não, tudo será ilusão?! Ok, ok, não vou começar a discursar. Estou aqui para falar que a ATITUDE venceu a BUNDALIZAÇÃO. Como, assim?! Bem, nesses realitys o que não falta são mulheres em busca de seus momentos de celebridades e para isso, mostrar o corpo de qualquer forma, é o verbo que impera, não são medidos esforços. Não, não sou contra corpos bonitos e tal, mas o que se comenta aqui é a forma como isso é jogado, dado e apresentado ao telespectador, que mais uma vez se vê enredado em uma teia midiática, feita para aculturar nosso povo de forma que esse, torne-se, apenas um instrumento de manipulação de dados, números e formas. Um ser não-pensante, apenas um ser que consome. Bichos?!
Porém, às vezes, o inverso ocorre e o telespectador, ser não tão burro e incoerente como se pensa, rebelasse, e os Bichos, antes acuados saem para fora, em busca de seus momentos de liberdade. Ao deixar como finalista, Danni Carlos, a bundalização morre. Danni foi durante os 84 dias o oposto do corpo, foi o não-corpo exposto. Banhos de sol, banhos de piscina e inclusive banhos de chuveiro, sempre foram acompanhados por suas roupas, geralmente pretas e escuras. O que teria acontecido ao nosso povo?! Amor à personagem Mortícia Adams, a qual se vestia sempre de negro, inclusive embaixo do sol? Acredito que foi cansaço, rechaço a esse mundo praia-cerveja-bunda-samba. Também somos feitos de cérebro e Danni foi exatamente isso, apenas cérebro. Simples, apaziguadora, humorada sem deixar de ser inteligente, mas não essa inteligência de soberba intelectual, que bem ela poderia ter, afinal é uma cantora, de relativo reconhecimento nacional, sua inteligência era algo mais puro, genuíno.
Atitude é a palavra que resume sua ação na casa. Agora, saber se tudo isso foi verdadeiro, ou falso, não é o mais importante aqui e sim a representação desse estado na mente dos telespectadores. Alguns dirão, que então de nada valeu tudo isso, mas em tempos midiáticos, não há como ser ingênuo, escapar do processo, agora, há sim, como encontrarmos brechas e a usarmos para respirarmos.

LOGOPORTANTO, Danni Carlos é, querendo, ou não, o símbolo dessa contracultura midiática que às vezes vem à tona. Corpo magro, branco, sem formas curvilíneas, sem swingue ou gingado. Essa foi a eleita pelo público. Essa foi, por que não, pelo menos pelo tempo que passou lá, o Porquinho, personagem de um outro livro de Orwell, A Revolução dos Bichos, que buscava instigar e fazer com que outros animais da fazenda acreditassem que uma revolução fosse possível, uma revolução dos dominados contra os dominantes. Sim, tudo, pode ser possível!!!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não, não sou John Lennon!

Sim, tive um sonho, mas ao contrário daquele sonho de John Lennon, na música "Imagine", onde ele cantava sobre um mundo sem fronteiras, povos que pudessem se abraçar, meu sonho era um tanto mais gótico, digamos assim.

Bem, então, vamos a ele:
havia um grupo de pessoas que tomavam conta de uma sociedade arruinada, falida em suas tentativas de melhorar o mundo.
Em nome de suas crenças vozeiravam ao quatro ventos o que era certo e o que era errado. Nada mais podia ser feito, o grupo submisso não tinha mais forças e até parou de acreditar em si mesmo, pois só havia tempo de fugir e de se proteger do grupo dominante, que por qualquer motivo atacava-os com tesouras em forma de pássaro, retalhando-lhes a alma e o corpo.
Tudo tornara-se proibido. Beijar na rua, mostrar sentimentos mais afoitos, que o álcool ou até mesmo um simples cigarro pudessem anunciar, entre muitos outros. Mundo ditado por normas rígidas e insanas. Liberdade tolida.

Acordei. Suor por todo o corpo. Fui tomar banho. Mas, era preciso mais para livrar isso de minha mente: palavras. Exorcizar medos e pesadelos!
Espero que meu sonho não se concretize. Acreditar.
Mas, é que o dia, hoje, amanheceu, tão cinza...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Sim, salvem a Yvone!


Quem é Yvone? Personagem de uma novela veiculada no Brasil, chamada Caminho das Índias.
Yvone é má por natureza, ausente de princípios, regras morais ou qualquer sentimento, ela é pura razão e focalizada em seus objetivos. Jogos de sedução e poder, onde as vítimas são jogadas em sua teia, repleta de armadilhas. É onde Yvone habita. Mas, por que salvá-la então? Todos devem estar imaginando que este que lhes escreve, é no mínimo, sádico e louco, para querer ver a ruína de outros.
Mas, vamos tentar explicar melhor: Em um país absurdo, praticamente fictício como o nosso, repleto de atos secretos; senadores oriundos de gibis de gangsters, raivosos, descontrolados;
propinas pagas aos ventos; escândalos; corrupção; improbidade administrativa; descaso com a saúde pública, com a segurança, com a vida em si, entre outros.... Só podemos, LOGOPORTANTO, acreditar que Yvone é mais real, mais verdadeira e menos hipócrita em suas ações. Ela é o que é, assume a si mesma sua postura. Enquanto que, todos, acima , citados, são lobos em pele de cordeiro, ou raposas como queiram. Prato preferido dessa "gente": humilhar, acabar com a cidadania e deixar todos fracos, com medo e incapazes de repensar o sistema. O velho jogo do terror.
E, o pior que as eleições vem aí e a maioria deles se reelegerá. Talvez, por que o povo perdeu a chance de acreditar em alguma real mudança, talvez, porque nunca soubemos escolher nossos governantes ou talvez, por termos visto televisão demais?
Em tempos atuais acredito que a televisão e mais precisamente as novelas, acabaram por se transformar em verdadeiras bóias salva-vidas, e eu que nunca imaginei pensar ou escrever isso, me rendo, pois a coisa anda tão preta e absurda que a novela se tornou algo mais real e verdadeiro a nossas vidas, algo no qual a coerência ainda parece existir.
A FICÇÃO É A NOVA REALIDADE, e a realidade tornou-se extremamente maléfica, ao qual vai nos consumindo em conta-gotas, retirando nossa vida, nosso prazer de ser ser-humano.
LOGOPORTANTO, SALVEM A YVONE, para salvarmos o que de real e verdadeiro restou em nós.!!!
Sim, sentem-se em frente ao sofá e digam: Me possua televisão! O resto é para assistir.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mas, por quê? Buda vem do espaço?

Não, eu não sei essa resposta!
Assim , como nem sempre sabemos o porquê de nossos atos, ações, pensamentos e por aí vai.
Um Blog para quê? Talvez, para me sentir inserido neste absoluto admirável mundo novo que surge e clama por nossas mentes, o virtual é o real, ou o real é o virtual. Quem sabe?

Eu? Eu, não sei de nada, só sei que gostaria muito de dizer a seguinte frase em um filme noir "Nasci para ser a dúvida e nunca a resposta" e ponto, essa seria a perfeita descrição de meu ser.

Por que logoportanto, pois é, é uma conjunção coordenativa conclusiva, que relaciona causa/conseqüência, talvez para me aproximar de causa e efeito, essa coisas da física e de nossas vidas.

Bom, espero, logoportanto, contribuir (Opa! Não comecemos presunçosos! Tenho pavor disso e destes!!!) com algo de valioso a este universo, a esta vida mundana, profana e bacana. Obviamente, não sozinho, junto, com meus novos confidentes...