segunda-feira, 1 de março de 2010

A insustentável leveza da invisibilidade


O livro, O homem invisível do autor britânico Wells,...

 ...que mais tarde viraria filme...



...  e na década de 80, série de tv.



Quando era garoto, na faixa dos 10 anos, meu herói favorito era o homem invisível. Ficava imaginando por horas a fio, principalmente antes de dormir, como seria uma vida assim, praticamente desabercebida, acredito ser isso que me encantava. O sonho de estar em algum lugar, porém, sem ser visto. Teria coisa melhor que isso? Poderíamos entrar na casa de vizinhos, parentes, amantes e espiar tudo, ver como aquelas pessoas viviam em suas intimidades, observar seus comportamentos, seus medos, desejos, ilusões. Estamos falando do início da década de 80.




Com o advento tecnológico, vieram os computadores personais, as câmaras de vídeo e o planeta tornou-se um enorme Big Brother, os Realitys tomaram conta do mundo e, todos nós nos tornamos um pouco invisíveis. É difícil encontar alguém que já não tenha dado uma espiada em qualquer um dos Realitys apresentados. Ao mesmo tempo que somos aparentemente agraciados com esse sentimento, vamos nos tornando invisíveis perante nossas próprias vidas, e o que era para ser apenas uma "diversão", torna-se uma aniquilação do ser e, aquele homem invisível da década de 80, tão inocente, acaba por não existir mais. Agora, o espetáculo e, esquizofrenicamente, a necessidade de aparecer e ser ou estar celebridade, torna-se fator indispensável para continuarmos rumo ao nada, à invisibilidade total, pois quanto mais espiamos a vida alheia, menos vivemos a nossa e o mesmo ocorre quanto mais sentimos a necessidade de aparecer, de se mostrar, menos viveremos nossas essências e singularidades.


E, todo esse "texto", nasceu, hoje, quando estava no MSN e observei a ferramenta invisível:  um ar de infância inundou minha sala e, por um momento, acreditei que ele - o homem invisível - do garoto de 10 anos, ainda estava vivo, contudo, o peso da insustentável leveza da invisibilidade atual se fez presente, e meu super-herói, mais uma vez desapareceu.