quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Abraços partidos são nomes próprios



Mais uma vez Almodóvar nos surpreende com um filme belo, triste e assustadoramente real. Os Abraços Partidos, nome de seu mais recente trabalho, nos leva a refletir sobre o abuso de poder, as dores, a culpa, a entrega, os sacrifícios, os amores plausíveis e os amores impossíveis, entre outro temas. Bem, por aí, já é possível imaginar, que vem "chumbo grosso" pela frente. Enquanto seu penúltimo trabalho, Volver, falava sobre a possibilidade de voltarmos atrás em nossas vidas, de redenção, nos dando a possibilidade de seguirmos em frente, mesmo machucados, em Abraços Partidos, essa possibilidade não existe, o que há é apenas o sofrer humano, mostrado de inúmeras formas e planos. Não é à toa que temos dois tempos em que ocorrem a ação, passado e presente e três espaços interligados, ou seja, um filme dentro de outro filme que é sucessivamente filmado, documentado por um personagem.Tudo isso parece complicado, mas ao vermos o filme é perfeitamente entendido e absorvido.

Ele entregue totalmente ao momento, ela com seu olhar distante
revela que não gostaria de estar ali: um abraço partido.

Penélope Cruz é Lena (Magdalena), secretária de Ernesto, que representa, o Estado, o paternalismo, o machismo. Lena, que cuida dos pais enfermos e eventualmente se prostitui para conseguir dinheiro para ajudá-los, se vê acuada quando seu pai precisa de tratamento de sáude e o único a recorrer é seu chefe, que a apóia e ajuda imensamente. Tocada por um sentimento de retribuição e inércia sob sua vida, acaba entregando-se a um relacionamento sem amor por este homem mais velho e extremamente rico (vide foto acima), que lhe dá uma vida confortável, porém vazia. Mas, Lena tem um sonho, o de ser atriz (talvez para não ser ela mesma, fugir de seu destino e suas angústias), por isso, termina conhecendo o diretor de cinema, Mateo Blanco, que mais tarde, também irá fugir de si mesmo com o pseudônimo Harry Caine. Os dois se apaixonam, entretanto esse amor é quase impossível, uma vez que o produtor do filme é o marido de Lena. O filme torna-se o sentido de sua vida e terminá-lo, mesmo sendo espancada pelo marido, é sua obsesssão, é sua forma de sacrificar-se, de colocar, inclusive, seu sonho, acima do amor.

Ainda há outros personagens fundamentais na estória, um é Judith, produtora e inseparável amiga de Mateo, ela é o retrato da culpa, do remorso, seu rosto é só sofrimento e amargura durante toda a película, que obviamente, é explicado no decorrer da ação; outro personagem é Ray X, filho de Ernesto, homossexual e reprimido pelo pai, ele passa, a pedido deste, fazendo todo o making off do filme de Lena.
Ray X, nome que nos remete a raio x, tem exatamente essa função, de mostrar, através de suas filmagens, o mundo de Lena, o mundo que não é compartilhado com Ernesto. Então, vemos que Ernesto, machista assumido, só consegue ver realmente Lena sob a lupa do filho, ou seja, da sensibilidade de um homessexual.

Personagens extremamente densos e profundos que em meio a abraços partidos, nos levam a lugares muitas vezes escondidos e que nem sempre gostamos de lembrar de suas existências, entretanto, se não vivermos as dores que eles escondem, não poderemos ser nós mesmos. Viver a dor, para ser total, para se completar, para ter um nome próprio, essa é a busca frenética dos personagens da obra que deve se estender a nós.

Nota: Observe no decorrer do filme as citações a outros filmes do próprio Almodóvar, assim como a ambientação baseada em filmes dos anos 50.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Fogos inerentes à alma


Que os verdadeiros fogos, inerentes à alma humana,
estejam sempre prontos a explodir....

Pois é, mais um ano se passou em nossas vidas. Gosto de não pensar como o calendário Gregroriano, ou seja, em dias, horas e minutos exatos. O ano, nada mais é do que um tempo, um espaço em que que a vida segue seu rumo. Sim, a vida é inexorável, ela e o tempo caminham de mãos dadas, juntos, transformam coisas ao seu redor, e isso inclui nossa raça humana. Nossa raça que ama e odeia, que constrói e destrói, que quer a paz e semeia a guerra. Seriam as inúmeras contradições pétreas à vida, e então de nada adiantaria esse discurso? Deixo aqui, essa questão aos meus caros leitores, sei que mais uma indagação, ainda mais, em fim de ano, provavelmente, não nos levará a lugar algum. Mas, será que estamos indo a algum lugar? E nossa raça teria um pouco ainda de vergonha na cara, poderia ela se olhar no espelho e dizer: sim, nós temos dignidade, nos temos humildade e estamos aqui para melhorar o planeta em que habitamos. Palavras, sentimentos, emoções, atos, inércia.

Onde se encontra a verdade, se é que ela existe. Porém, há coisas que sabemos instintivamente que são corretas, com a dignidade frente à vida, a bondade frente aos outros e por aí vai, são sentimentos, que apesar, de muitas vezes encontrarem-se escondidos ou adormecidos em algum lugar de nós mesmos, estão lá, sempre existiram e continuarão a reverberar em algum canto de nossos seres, seus nobres poderes.

Àqueles onde ainda pulsa o coração, viver com mais gentileza, bondade, humildade faz parte de suas vidas. São, exatamente esse pequenos atos, que transformam a qualidade do tempo em que passamos aqui na terra. Não gente, isso aqui não é o Jornal Aquarius, ou qualquer texto esotérico, ou de auto-ajuda, passamos bem longe disso tudo ok. Isto aqui são apenas palavras, um tanto diferentes, daquelas tão faladas em final de ano, muitas vezes, da boca para fora.

Até 2010, ou seja, até sexta.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dia 1º de Dezembro: Dia Mundial de Luta contra a Aids


Sejamos fortes, corajosos, unidos e solidários para
 que possamos ser chamados de seres-humanos.

Sejamos seres-humanos para que possamos ver que a luta
contra o precoceito deve ser sempre diária.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O homem é o lobo do próprio homem


Mais um fime catástrofe, haja cérebro, pipoca e refri para aguentar.

2012 é um filme de catástrofe de 2009, dirigido por Roland Emmerich e protagonizado por John Cusack. O roteiro foi escrito por Roland Emerich e Harald Kloser. O filme fala sobre o possível fim do mundo em 2012. Repleto de efeitos especiais e muita, mas muita ação, o telespectador nem possui tempo de realmente pensar em um suposto final dos tempos, mas sim, em observar uma busca frenética por aviôes e barcas, sim, barcas nos pontos altos do planeta são providenciadas pelos mais ricos, que obviamente são os que tem acesso a estes novos meios de transporte.

Mas, será que realmente precisamos de mais uma super-mega-produção-catástrofe? Não é só olharmos ao nosso redor e avistarmos os mais diversos absurdos pelo qual nosso planeta já vem passando: tornados, vendavais, tsunamis, terremotos, desgelo de ecosisitemas sensíveis e por aí vai. Já estamos sentindo o peso de nossos atos, pena que àqueles que mandam no mundo, que detém o poder e consequêntemente o dinheiro, estão cegos, imbuídos em apenas ganhar mais capital.


O Lobo insaciável


"O HOMEM É O LOBO DO PRÓPRIO HOMEM" Herman Hesse.
Estamos aos poucos comendo nossas próprias vísceras, a antropofagia anda cada vez mais à solta. Porém, nada é capaz de parar, ou diminuir o insaciável apetite humano pelo vil metal, e assim vamos caminhando para algum lugar vazio, desprovido de vida e amor. Então, já estaríamos nos círculos do inferno de Dante. Há saída?



Dante e Virgílio, no inferno, observando mais uma alma agonizante.

Não há muito a ser feito caros amigos e me desculpem o tom pessimista, a natureza e os homens não me deixam mentir, lembre-se: eles não desisitirão de faturar. Todavia, em sentido individual, pode-se praticar pequenos atos, que muito contribuem de modo geral e maior, como exemplo: limpar sempre as cacas de seu cachorro, quando se está na rua; separar o lixo; diminuir o tempo no banho; usar sacolas reciclavéis quando vamos ao supermercado; pensar no planeta como um todo, como um ser vivo. RECICLAR OS ATOS E NOSSAS VIDASANULAR a GANÂNCIA, o EGOÍSMO, para nunca nos tornarmos um deles. ACREDITAR. 



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Barbie vira Amy, ou Amy vira Barbie?


A empresa Mattel, promete a boneca, nas lojas, até o final do ano.

Sim, você não está tendo uma viagem alucinógena, Amy Winehouse virou Barbie, ou será ao contrário?! Nossa velha conhecida, a Indústria Cultural, mais uma vez se apossou de elementos, até então adepta ao bem comum estabelecido e ao Status Cuo, disse sim ao irreverente, ao diferente. Aceitou, abraçou. Afinal, quando não se pode lutar contra um inimigo é melhor o mantermos por perto, para assim, vigiarmos seus passos. E tudo, obviamente, envolvendo, muito dinheiro. Também, não sejamos tão românticos. Poliana, também não, né!!

É impossível não ver Amy como uma estrela da nova década, sua voz faria sucesso em qualquer outro planeta, sem trocadilho. O interessante é ver a Barbie virar Amy, uma boneca tão certinha, tão American of Way, o que teria acontecido com ela, será que agora anda até usando drogas e bebendo por mais da conta? Em meu ponto de vista, isso parece tão paradoxal, pois vivemos tempos tão "caretas", por exemplo, não esqueçam que o cigarro, hoje, é visto quase como uma coisa do demônio, inaceitável, mas lembrem que Amy fuma o tempo todo. São tempos pós-modernos, esquizofrênicos. Talvez, não seja para entendermos, e sim, para sentirmos, vivermos.

Logoportanto, aceitamos esse presente que a Barbie nos traz, irreverência não faz mal a ninguém. Sim é pop, é consumo, é Indúsrtria Cultural, mas precisamos respirar liberdade de vez em quando, e também ajudar a Amy, não fará mal, pelo contrário, só nos beneficiará, quem sabe ela consiga, finalmente, gravar o tão esperado próximo albúm? E, nossos ouvidos, com certeza, muito agradecerão. Que venham mais Barbies Rock'n'Roll. Esses dias ouvi falar na Barbie da Debie Harry, ufa..., os ventos às vezes, podem soprar para o nosso lado, não? Por que só eles é que têm que se dar bem?!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

De que são feitos os sonhos?

Segundo dicionário:
O sonho é uma experiência que possui significados distintos se for ampliado um debate que envolva religião, ciência e cultura. Para a Ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Recentemente, descobriu-se que até os bebês no útero têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, não se sabe com o quê. Em diversas tradições culturais e religiosas o sonho aparece revestido de poderes premonitórios ou até mesmo de uma expansão da consciência.



Inperdível: Nosso querido Akira Kurosawa em Sonhos. Não viu ainda? Corra à locadora!
 


Segundo o autor e suas elucubrações mentais:
Para começar a discusar sobre um tema tão abrangente e fantástico é necessário sermos francos e diretos. Os sonhos para mim são ingógnitas, podem vir de muito longe, dos confins de nossas almas, ou podem ser mais rasos e virem de desejos mais latentes e visíveis.
Sonhar é humano, e é ao mesmo tempo divino, o mais próximo que chegaremos de Deus. Esse Deus que vos falo, nada tem em haver com o Deus cristão, etc. E, sim, com uma força maior que nossas humildes
vidas, poderia, então, chamar de força cósmica, força que une as formas de vida, ou qualquer coisa assim, mas, para simplificar, acabei deixando a palavra Deus, mas com essa conotação que tento lhes passar.



A ponte, mais uma vez de Akira.

Os sonhos referidos nesse pequeno ensaio, se referem aos sonhos que temos enquanto dormimos, e não àqueles que temos acordados, quase que diariamente, que envadem nossa mente e nos transportam para longe, para terras além, e que são muitas vezes, uma forma de nos mantermos serenos e vivos em meio à vida. Se bem que, se analisarmos esses dois tipos de sonhos, o acordado e o dormindo, em muitas vezes eles se encontram, se mesclam e se tornam seres híbridos, habitantes de nossas mentes e corpos.




Ele foi e sempre será a personificação do sonho: Salvador Dalí

Será que somos feitos daquilo que sonhamos? Você é o que sonha? Bom, essa pergunta um tanto retórica e abrangente, nem sempre é fácil de responder, muitas vezes, a vida se encarrega de nos afastar de nossos sonhos-acordados e então só nos resta os sonhos-dormindo, para assim, talvez, não explodirmos em um dia de fúria qualquer. Lembram desse filme? Um dia de fúria, em que um pacato cidadão acorda, digamos assim, um tanto sem paciência para o quê o mundo se tornou, e acaba explodindo em tudo e em todos, vale a pena assistir.

Voltando e concluindo:
Então, vemos que já não é mais possível distinguir entre os sonhos reais e os imagináveis, é quase como se estivéssemos semi-acordados, Zumbis?! Nâo cheguemos a tanto, não quero que ninguém corte os pulsos. A proposta aqui, é só divagar, colocar fantasmas para fora. Sim, é preciso continuar sonhando, acordado, dormindo, tanto faz. Essa ação, é uma de nossas formas de sobrevivência. Logoportanto, vamos nos manter vivos. Um olho aberto e o outro sonhando. Sempre!!! Afinal, os sonhos são feitos de nós mesmos.


Para terminar: Os famosos relógios derretidos de Salvador Dalí.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

FELICIDADE?.............

Pense nisso:

Nos dias de hoje, nossa felicidade anda tão pequena,
que cabe dentro de um Macdonald´s qualquer.
Fabiano Carvalho